sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Lamaçal





Lamaçal...
Jogar toda água do céu para fora,
 E castigar a terra.
No campo, árvores apressadamente arrancadas!

Raiz morta!
Terra dolorida...
Chão devastado,
Amor sem guarida!

Com uma manta a mãe envolve seu filho,
 O mais um desprotegido...
E na ilustração do mundo,
Gasta fiéis, sacrifícios desmerecidos.

Porque no mundo tudo foi destinado a ser lama.
Tudo é natureza ou pranto!
Tudo é só aparência...
Sacrifícios, fiéis e o desencanto!

De Magela/Carmem Teresa Elias


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

HAVIA UM CARA


Naquele vez
Na viagem de sexta feira
Dia de cabeça cheia
Não é que havia um cara
Do meu lado
No metrô.
E pela conversa dele _
O mesmo blá, blá ,blá de sempre_
Logo, logo percebi
Que seu nome era Povo.

Personificação ingrata
Quando não se atém à identidade
A cara fica estranha...
Ora alegre, ora triste
Olhando pra tudo e
Para nada...
Meio perdido no vagão.

E quando falava
Bem, aí ele parecia saber de tudo:
As últimas dicas quentes do telejornal
Aquelas coisas de temperatura mundial
Política e visita papal

Começava um raciocínio
Sobre isso e aquilo
Postura crítica
Análise fria
Mas em vez de completar
Pouco depois se perdia.

Não finalizava...
Ficava na meia palavra
No livro fechado
No título do jornal

Rebatia assim:
 Homem em sociedade
 É complicado,
Politizado, laico, bem conectado
A  par de tudo!
E pensando em flores
Sonhando com um pouco de paz,

Olhava o santo do lado.

De MAGELA E CARMEM TERESA ELIAS 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

POR QUÊ?



Por quê?




Escrevemos
Porque amamos


Escrevemos


Porque sabemos que amamos


Escrevemos


Porque entendemos que amamos




Não existe amor sozinho


Logo, a Poesia é Sentimento

De quem ama...


E seu avesso


É só tristeza


Carmem Teresa Elias e De Magela Poesias

Foto de Carmem Teresa Elias
( caminho de pedras em Paraty)


sábado, 20 de julho de 2013

BRILHO

BRILHO



Imagens são breves visões...
Para quem captura tanto sentimento no peito,
E o transforma em palavras  que o mundo fala,
Descreve, entende e guarda.

Por outra estética:
Vejo bem perto o brilho que emana na essência do belo
Na proximidade capaz do recontar consciente,
Na chama certa de cada palavra.

É por isso que amo o mais belo de ti... palavra que alucina.
O mais belo de mim... esse sol longínquo de ondas claras
Que como os teus olhos, com exatidão, se aproxima
E dita a poesia de cada  dia como a mais  rara 

Ninguém me escreve tão bem  quanto a ti!
Ninguém visita meus quilombos reclusos em águas e matas
Ninguém estampa com tantas flores amarelas e vermelhas
A luz, a vida, e a graça que dançam cirandas em Paraty.

Carmem teresa Elias & De Magela Poesias
Foto de Carmem T. Elias




sexta-feira, 28 de outubro de 2011

FILÉ DE VIOLA



 

Dia de feira...
Andar, comprar frutas, legumes e peixe.
Há um prato quente que escondo na cartola,
Conhece o filé de viola...?


Além do corte tem magia...
Mandinga do molho de tomate, pimenta do reino, coentro e pimentão.
Vai do lado, purê de bata, arroz...
E salada de agrião.


Vou livre, leve e solta
Calça jeans bordado e com lacinhos...
Camiseta do reino da Zuazilândia,
Sandálias de couro em tiras.


Dia de feira não é dia de pequerepequê!
Estou indo, só volto daqui a duas horas...
Nada de funk, opera, futebol e ballet,
Merece sacrifício saborear um filé.






De Magela e Carmem Teresa Elias




segunda-feira, 17 de outubro de 2011

SE EU FOSSE O SEU AMOR

    




Se eu fosse o seu amor,

Sentir-me-ia encantado...
Porque você completa o meu verso
E a vida faz tanto bem quando só isso acontece.


Se eu simplesmente fosse...
Teria cuidado ao tocar seus cabelos macios.
Teria o mesmo cuidado para beijar seus lábios...
E empreender as viagens que os corpos sempre fazem.


Não me contentaria em ser como o vento...
Quando toca, acarinha e beija o mar
Com a suavidade das almas apaixonadas!


E na infinita essência do perfume ousaria mais
Sabendo da mortalidade que tem as mãos quando tocam.
Sabendo que os sonhos são mais eternos quando se tornam reais!



De Magela e Carmem Teresa Elias

(  no livro  POEMAS PARA A ADOLESCÊNCIA PRIMEIRA )
 fotografia por Carmem Teresa Elias

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

MENU

MENU




Pranzerò e, oggi è giorno caldo.

Presto chiederò un'ode alle parole frementi
Affinchè essere capite possano
Quando al tempo saranno servite.


Per il dessert : un sorbetto con gusto di nostalgia
La stessa nostalgia di freddo e ghiaccio...
La stessa sensazione...
Di quando m'hai detto addio e sei partito.


Forse qualsiasi cosa di così freddo doveva venire insieme a qualcosa di bollente
Ma io mi servirò di tuo calore con pianto freddo:
Ciliegie sole addolcite all'amaro.
Ancora una volta il gusto lasciato al tramonto dell'amore!


Oggi fa il caldo delle parole inghiottite senza addio
Parole bevute alla folia e temperatura ambiente!
Quando delle lacrime se aspira una vita piena di illusioni
Rimane in bocca il gusto sentito delle scelte.


                                DE MAGELA E CARMEM TERESA ELIAS
                               Versão para o italiano por Carmem Teresa Elias

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CARDÁPIO


Vou almoçar e, hoje o dia está quente.
Logo pedirei uma ode às palavras frementes.
Para que sejam entendidas
Quando servidas ao tempo.

De sobremesa: um sorvete com versos de saudade.
A mesma saudade fria e gelada...
A mesma sensação...
Que ficou quando disseste adeus e partiste.


Talvez algo tão gelado mereça estar acompanhado de algo fervente,
Mas servir-me-ei de teu calor com um pranto frio,
Simplesmente cerejas adocicadas no amargor.
Repetindo o sabor que ficou do amor quando a noite caiu!


Hoje o dia está quente pelas palavras engolidas sem despedida.
Bebidas ao desatino e à temperatura ambiente!
Quando a vida é de lágrima sorvida, e cheia de ilusões...
O paladar dá um tempo pelas escolhas sentidas





CARMEM TERESA ELIAS E DE MAGELA

domingo, 2 de outubro de 2011

DEFINIÇÕES AQUARIANAS



Meu confronto é envolver-me contigo

Sem comprometer minha alma!

Ter que fixar esta caricatura de amor...

E ao final ter que negar.



Dizer a todos que é mais uma imitação,

De quem quer ver num aquário, a ilustração do mar!

Que quero envolver-me com suas águas, e pelo medo...

Ter-me aprisionado e naufragar!



A imunidade que seu amor desperta,

Me faz viver mais do que sentir...

Se pela imitação, desfruto o vazio

Te amo cada dia mais sem ter que refletir...!



É que minha liberdade aceita seu espanto,

E toda sua inquietação.

Confronto maior seria, se estes meus versos

Não tivessem um coração.



De Carmem Teresa Elias e De Magela



09/2011 – Contexto:

Definíamos a personalidade de uma pessoa de aquário; que buscam desesperadamente a liberdade, não querendo ser capturadas, nem comprometer sua alma livre.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

MINHA TRISTEZA TRAGO NO VERSO






Estou triste e é na madrugada que sinto dor.


Não é uma tristeza que se possa recompor...!


Não é uma saudade que doa apressada,


Sem fazer o barulho e quase nada!






Minha tristeza trago nos versos...


Que alma à dentro, a ninguém eu revelo,


Dos amores que me foram em vão...


Da falta que até hoje tenho e peço.






Na frieza da noite um mistério eu escondo:


Minha amada se faz calada e de meu amor nem sabe onde.


Por isso, venho a ti rosa aberta da estrada.






Para rogar-te um afago, um olhar, um trago, sua voz acalentada!


Porque de perto posso sentir  o conforto do seu perfume...


E nesta noite, não mais a lua ouvirá a madrugada ressoar os meus queixumes!



De Magela e Carmem Teresa Elias

LA BELLE ÉPOQUE





La Belle Époque!!!



Você sabia que tenho as roupas até hoje...

Daquela festa e aquele baile de estilo requintado

Un petit pas en La Vie en Rose?



Tenho as plumas e rendas importadas de Paris...

Chapéus coloridos e os trages de valsas...

Vestíamos a sensação e... voávamos

No mezzanino....no grande salão.




Eu pensava que aquele tempo não passaria jamais.

Não acabaria a leveza dos sortilégios à porta da Colombo...

A imensa clarabóia no teto...




Ainda sinto a sensação de romance.

Ainda sinto o cheiro daqueles doces portugueses!

Ainda vejo a fumaça saindo das xícaras de chás

E a delicia de ver você chegar.




 CARMEM TERESA E DE MAGELA

PARTO DA PALAVRA



Parto da palavra!
Qualquer palavra que faça a junção
Sem técnica especifica.
Que possa unir novidade e você.


Um surto tão natural que me dar dor e vontade...!
Que acontecendo só se explica assim:
Sofro do mal da sua saudade!
Da dor generalizada de não poder lhe ter.




Parto da palavra, porque ela me leva ao extremo.
E ela que mostra ao mundo esta parte fragmentada de mim.
Chegando a histeria e partindo do nada...
Quando perco o contato comigo e lembro-me da lua amada.


Me desculpe ter tantas partes!
Por não ter identidade e a mente aliviada.
Juntar nos dois é juntar o amor
Partir de palavras em plena madrugada.




De Magela e Carmem Teresa Elias.

domingo, 3 de julho de 2011

APRISIONADA


Se fico romântico,



Chego a realidade cheio de "eus".


Trazendo-os aprisionado,


Entre os tolos sentimentos meus!






Todos querendo falar ao mesmo tempo:


Da sofreguidão; da alegria...


Do chorar e da indiferença...


Que verbaliza esta pena vazia.






Sei que não é apenas a dor que sinto que me faz assim!


Pois é a mesma dor que tu reservas para ti:


No amplo sentido, que há na palavra existir.






Quando palavras verdejando sensação...


Transpassam o que há em nós...!


Aí é que eu vivo preso


Sem soltar a minha voz.





De Magela e Carmem Teresa Elias

BRIGA DE TRAVESSEIRO, PAINEIRA E A SAUDADE


...Já viu a paineira florida lá no fundo do quintal?



Nós não temos mais o tempo que tínhamos,


Mas olhando-a toda florida...


Posso dizer que não existe igual.






Lembra das nossas travessuras...?


Quando brincávamos de esconderijo em seus galhos...


Lembra quando escrevi o seu nome...?!


Na altura de seu ombro?






Lembra quando apanhamos muito


Por brincar de guerra de travesseiro


Espalhando as painas pelo chão...?!






Naquela época, a primavera tinha cor de flores


E a saudade ainda era toda rosa...


Nossos passos eram leves


Entre a maciez dos frutos que pegávamos






E a vó gritava lá fora:


Corre , corre, colhe tudo antes do vento !!


Que Saudade!

Como era bom o teu sorriso colorindo o tempo!


( CARMEM TERESA  ELIAS E DE MAGELA)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A MENINA E A ROSA




Quando escrevo


Sei que não sou pertinente quando escrevo...
Que guardo palavras em pequenos segredos,
Temendo que a felicidade possa ir depressa embora.
E o que escrevo não depende de beleza, por ser aquele instante mágico,
Em que a perfeição fala à clareza dos versos de outrora.


Sei.
Sei descrever sem qualquer léxico!
Sei de fato que, posso ser eu mesmo, se você fizer parte do conceito.
Sei que o amor não tem compromisso certo e vive sem nexo!
E que ninguém o entende direito...




Sei que quando acordo, sinto seu cheiro antecipando a manhã...!
Como um café quente exalando palavras a procura de encanto...!
Ensaiando o beijo com sabor dos lábios seus e,
Misturando coisas tolas, só para dizer o quanto te amo.






Sei que é assim que a minha vida faz sentido!!!
Completando em pensamento cada detalhe que antes havia esquecido...
Sei que não sou pertinente ao descobrir nos seus olhos e na luz que vem surgindo:
A beleza, o gosto e o gozo das flores que vão se abrindo...






                   De Carmem Teresa Elias e De Magela



(Imagem obtida no Google com o tema: a menina e a rosa)

terça-feira, 28 de junho de 2011

CINQUENTA

Cinquenta








O que mais te assusta...

A velhice ou cinqüenta motivos para viver?

Perguntou a menina com uma Barbie na mão...

Não soube o que responder.



Quem de nós os tem assumido?

O medo de não ter mais aqueles gracejos...

Beijar na rua... Sair a esmo mais cedo...?

Sinto-me jovem, mas algo parece errado.







Quantos anos desejo ter?

Treze? Vinte e cinco? Trinta e cinco?

Para que eu mesmo saiba...

O que devo responder?





O Tempo não me pega!

Faço dele minha melhor brincadeira

E essa mania de querer viver

Fazer um conto e relatar besteira.





Com que idade se deseja o amor?!

Quando o temos em nós o apogeu?

Quando ficamos chatos, escondendo a crise?!

Não é assim o amor ao lado seu? ...





Que idade temos quando nos encontramos e estamos juntos?

Que medida de tempo define a precisão do sentimento?

Não sei. Sei que tenho cinqüenta motivos para amar

E viver sem desculpas.





                         De Magela e Carmem Teresa Elias

DETURPAÇÃO

Deturpação








A certeza das coisas boas convive com a natureza e os animais...

É o que permite aprender a compreender o mundo.

E mais a essência divina do ser...

Quando tudo anda aos anseios por ai.





Entendo as razões do mar.

Entendo as razões da lua...

Das matas, dos desertos e das estrelas...

Mas, não entendo a sua  formosura ...





Essa matéria sorrida que dá curva ao relevo da terra,

Palavras africanas que soam bem, mas não dizem o que há na guerra.

Guerra ou benção divina sobre a relva?

Por que falar do meu amor da a sensação de respingos com o frescor da simplicidade...?





Não há explicação no universo para o marulho dos teus olhos encontrando os meus...

O que dizem ao silêncio em uma forma tão soberana!

É de tão perto que percebo que o brilho das estrelas é uma deturpação...

Quando intensamente se ama.





                                De Magela e Carmem Teresa Elias